Se dólar passar dos R$6, impacto na tarifa de energia supera 7%, diz Aneel

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U.S. one-hundred dollar, ten-dollar, five-dollar and one-dollar banknotes are arranged for a photograph in Hong Kong, China, on Thursday, April 23, 2020. The Hong Kong Monetary Authority intervened for a third straight day this week to defend its currency peg as the local dollar touched the strong end of its trading band. Photographer: Paul Yeung/Bloomberg

Alta do câmbio contribui para o aumento da tarifa das distribuidoras, em um momento que boa parte dos consumidores estão com a renda comprometida

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Andre Pepitone, afirmou que a agência vem monitorando o impacto da desvalorização cambial sobre as tarifas de energia dos consumidores brasileiros. Nas contas da Aneel, se o dólar superar a casa dos R$ 6, o impacto na conta de luz por conta da compra de energia dolarizada de Itaipu superaria a casa dos 7%, um efeito significativo neste momento de crise do coronavírus.

Nos processos de reajustes tarifários, a Aneel adota um câmbio de referência para calcular as despesas das distribuidoras do Sul e Sudeste com a compra da energia de Itaipu.

No entanto, os valores que estão sendo reconhecidos pelo regulador nas tarifas estão abaixo do câmbio real, criando um ativo regulatório que será cobrando dos consumidores brasileiros ao longo dos próximos reajuste tarifários das empresas.

De acordo com Pepitone, no caso de o dólar ficar na casa de R$ 4 50, o impacto de Itaipu seria de um acréscimo de 2% nas tarifas

Se o câmbio subir para R$ 5, esse efeito vai para 4%. Se a moeda americana ficar em R$ 5,50, o impacto vai para 5,43%.

“Se o câmbio ultrapassar R$ 6, o efeito nas tarifas supera o 7%” destacou o executivo, ao participar de uma live sobre os impactos do coronavírus para o setor elétrico.

O tema preocupa a Aneel na medida é em que esse efeito pode contribuir para elevar ainda mais as tarifas das distribuidoras, em um momento que os consumidores tiveram a sua renda comprometida com os impactos da crise do coronavírus.